Bem, já voltei para Lx, mas não queria deixar de publicar aqui o resto dos meus dias em África.
Dia 13
Passámos a manhã a ver televisão e à hora de almoço os amigos do P. vieram almoçar connosco. Jogámos Uno, Cluedo e Trivial até à hora de irmos embora para o cinema Xenon. Fomos comprar os bilhetes para ver o Step Up 2 (filme espectacular para quem gosta de hip-hop) e até à hora da sessão fomos passear pelo miradouro até ao Jardim dos Namorados (nome sugestivo, hein?).
Nessa altura estava a sentir-me com um bocado de frio e com arrepios no corpo, o que é mau sinal porque estavam temperaturas de certeza superiores a 25º.
No cinema estava, claro, o ar condicionado ligado e fiquei com imenso frio porque não tinha trazido casaco (troll), mas adorei o filme.
Quando cheguei a casa tive que dizer à mãe do P. que não me estava a sentir muito bem, porque isso era evidente na minha cara. Só me apetecia tomar banho e ir para a cama. Foi o que fiz, mas antes tive que comer canja e maçã cozida (que por acaso até estava muito boa).
Dia 14
O irmão do P. foi-se embora para Portugal e em princípio nós iríamos ao Kruger. Eu sentia-me melhor e, de qualquer modo, nunca iria desperdiçar um dia, só se estivesse mesmo a definhar e lá fomos.
Demorou um bocado a viagem, mas íamos conversando e filmando e vendo a paisagem e lá chegámos à fronteira de Moçambique com a África do Sul. Bem, aquilo é uma autêntica confusão de pessoas. Tem imensos "intrujões" que cobram mais aos turistas para lhes irem buscar o visto e voltarem e não terem de ficar na fila. Sinceramente, acho que o preço não compensa. Mas também nós não ficámos na fila à espera porque como o pai do P. é considerado VIP fomos para outra fila e fomos atendidos mais depressa. Depois fomos para outra fila onde tivemos que mostrar o nosso passaporte e fazer o registo do carro. E lá prosseguimos.
A paisagem é completamente diferente de Moçambique. Na minha opinião é muito mais verdejante e intensa que em Moz. Não deixam de ser as duas bonitas.
Entrámos no Kruger por Crocodile Gate (mais um nome sugestivo!) que por acaso tinha apenas um pequeno curso de água a pssar pela estrada. Tendo um jipe para nós não houve problema, mas por vezes torna-se impossível passar por ali. Tem de se ter cuidado.
Almoçámos lá dentro e pelo caminho fomos encontrando os animais. Meu Deus! Aquilo é tão espectacular!! É tão diferente ver estes animais sem ser atrás de grades, só com um vidro a separar-nos. Uau!! Nem tenho palavras para descrever a grandiosidade daquele lugar.
Por acaso tivémos sorte e foi neste dia que vimos maior quantidade de animais. Aqui ficam algumas fotos.
Chegámos a Berg-en-Dal ao anoitecer (tínhamos de chegar antes das 18h senão fechavam os portões e ninguém quer ficar de fora dos portões dentro do Kruger Park à noite). É incrivel a quantidade de barulho que faz à noite in the wild. Tínhamos de ter cuidado com os mosquitos e os babuínos que por vezes têm a tentação de roubar a nossa comida. Enquanto jantávamos ao ar livre, projectaram um filme sobre leões.
O nosso bungalow era o número 22 e era bué giro. Quando entrei estava um lagartinho sobre a viga de madeira e apontei e disse: "Que giro! Até colam animais de plástico nas paredes" até ao momento em que o "animal de plástico" se mexeu e foi embora!!
Fomos deitar-nos cedo porque no dia seguinte tínhamos o morning drive às 5 da manhã.
Dia 15
Ainda de noite fomos para a zona da recepção onde esperámos o nosso guia para fazermos o morning drive. Supostamente esta é uma das melhores alturas para se ver animais porque eles estão mais activos. Vão beber água e caçar. Com uns holofotes, lá fomos andando à procura de animais. Nada! Vimos o nascer do sol e nada! Onde raio é que estavam os animais? Conclusão, 3 horas de carrinha aberta (o que vale é que estava uma brisa agradável e estava nublado, ou seja, não havia sol para nos esturricar) e a única coisa de novo que vimos foram pássaros, abutres, kudus e aprendemos a identificar cócó de elefante e rinoceronte. De qualquer modo, adorei, nem que tenha sido também pelo passeio.
Saímos de Ber-en-Dal em direcção à civilização e à procura de leões e leopardos e pelo caminho encontrámos uma junção de animais, zebras, impalas e gnus, todos juntos a "pastar" mesmo à beirinha da estrada. Que espectáculo!!
Claro que adormeci até sairmos do Kruger. Fomos em direcção a God's Window e pelo caminho a paisagem é mesmo estonteante. Verde e mais verde até perder de vista. As árvores são plantadas de propósito assim para facilitar depois o corte das mesmas para fazer madeira.
Quando chegámos a God's Window infelizmente estava nublado e não deu para ver nada. Chuif!!
Fomos descendo até Nelspruit, mas pelo caminho vimos mais paisagens fabulosas. O que mais gostei foram as MacMac Falls. Nunca tinha visto cataratas e foi mesmo lindo. Nem tenho palavras para descrever.
Já passavam das 14h da tarde e queríamos almoçar, já não me lembro do nome do sítio, e parece que houve um corte de energia e havia bastantes restaurantes que não funcionavam. Felizmente encontrámos um com aspecto assim campestre, muito simpáticos, e eu comi butterfish (muito bom mesmo).
Chegámos ao Hotel StayEasy (que é mesmo giro), deixámos as malas e fomos ao centro comercial ali mesmo ao lado. Este centro comercial tem a particularidade de ter apenas um corredor e por isso não nos perdemos a ver todas as lojas, o que também é mais facilitado.
O pai do P. perguntou se queríamos ir ao cinema e eu pensei "porque não?". Estava a dar "A princesa e o sapo" e como pensei que quando voltasse já não estava em cartaz disse que gostava de ver aquele, mas que o pai do P. provavelmente não queria ver desenhos animados. Qual não foi a minha surpresa quando ele disse que queria muito ir ver aquele filme!! Enquanto a mãe do P. foi fazer compras, eu, o pai do P. e o P. (um bocado a contragosto talvez) fomos ver o filme. Adorei mesmo!! Mal posso esperar para comprar o DVD. Ver novamente um filme da Disney como antigamente, sem aqueles efeitos de computador... Que saudades!! E as músicas!! Lindas!!
Saímos e fomos fazer umas comprinhas (eu comprei um livro apenas). Jantámos no restaurante Detroit Spur onde serviram um bife super gigante com um molho de queijo (praticamente líquido). Como andava um bocado mal da barriga pedi com arroz. Não consegui comer muito, mas fiquei saciada.
Dia 16
De manhã acordámos, fomos fazer as compras de última hora e saímos para voltarmos para Maputo. A viagem correu bem e dormi bastante.
Pelo caminho parámos num restaurante chamado Crocafellar (olha que giro, mais um nome sugestivo!) para ver se ainda havia crocodilos por debaixo do restaurante, mas infelizmente não encontrámos nenhum. Chuif!
Almoçámos já em Maputo, em casa, e à tarde fomos ver o novo centro comercial e comprar mais uns acessórios.
O resto do dia foi de descanso, TV e arrumar coisas. Ah e claro, jogar Rummikub.
Dia 17
Neste último dia, arrumei mais coisas, joguei o último Rummikub e à noite fomos com a Eunice ao Jardim do Professores lanchar. Vi o pôr-do-sol e vi um morcego. Foi muito giro!!
Dia 18
Bem, acordámos cedinho tipo 5h45 da manhã para estarmos às 6h30 no aeroporto para apanharmos o avião de volta para Portugal.
Embalámos as malas para não as abrirem (ao menos se o fizerem tenham algum trabalho) e fizemos o check-in. Tivémos que pesar a nossa bagagem de mão que só podia ter no máximo 7Kg e a minha mochila pesava 6.250Kg. Ufa! À rasquinha!!
Despedimo-nos dos pais do P. (desde já fica aqui o meu muito obrigado pela hospitalidade e infinita paciência para me aturar) e entrámos para a "sala" de embarque. Azar dos azares, o avião Venceslau de Moraes era um A340 e era dos antigos, ou seja, não tinha aquela televisão individual. Ainda por cima, o avião ia para Johanesburgo (ou lá como se escreve) e só depois vinha para Lx. Ao menos a comida desta vez não foi muito má e por sorte tínhamos um farnel que a mãe do P. teve a gentileza de fazer para nós.
Chegámos a Lx às 19h de cá (21h de lá) e fomos apanhar as malas. Fogo!! Voltar de um clima quente e húmido, para um seco e frio, é de uma pessoa ficar com pena. Mas gostei de voltar a ver os meus pais, que me pareceram muito bem e de pelo menos estar um bocado mais morena do que eles (eu sei que não parece, mas estou).
E pronto, cheguei ao fim desta odisseia que adorei e mal posso esperar por repeti-la. Conheci tantas pessoas tão simpáticas, uma cultura tão diferente da minha e tão única. Comi coisas que nunca tinha visto e até hoje não sei o que era. Vi animais selvagens mesmo à distância de 2 braços. Nadei numa piscina de água salgada. Levei com chuva tropical e um sol abrasador. E tudo isto sem agarrar uma vez que seja num livro escolar. Foram mesmo umas férias únicas e deliciosas que eu sei que nunca esquecerei.
Apaixonei-me por África, mas também, quem não consegue?